ALGUMAS OBSERVAÇÕES A RESPEITO DO LIVRO
“O QUÊ QUE É ISSO, EX-COMPANHEIRO LULA?” E DOS ASSUNTOS TRATADOS NO MESMO.
Em 20/01/2018 Marcos
Goursand [1]
Para o título deste livro, o autor buscou uma
frase muito dita por Lula – “quê que é isso, companheiro?” – quando queria
censurar alguém. Lembrou-se também do título do livro de Fernando Gabeira, O
que é isso, companheiro, uma crítica pertinaz aos anos de ditadura. É pois,
uma crítica ao atual governo.
Comecei a escrever este
livro em agosto de 2003 (e publicado em setembro de 2004), alguns meses após a
posse de Luís Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil, quando já se
delineava a mudança de orientação política do governo, empossado em janeiro.
Estava descrente e decepcionado com o seu governo e com o que se mostrava como
uma traição aos eleitores que o haviam conduzido à Presidência da República,
acreditando em seus propósitos e promessas de mudança para um Brasil melhor.
Quando escrevi o livro, estava filiado a um partido
político, o PSB (Partido Socialista Brasileiro), e embora acreditasse num
possível governo democrático de esquerda e nas propostas ditas socialistas, já
era claro para mim o abandono delas por Lula e pelo PT, ao negá-las uma vez no
poder. Lula nunca se definiu como de esquerda ou socialista, mas estranhamente
muitos magistrados, profissionais liberais, professores e estudantes
universitários, gente considerada mais culta, crítica e informada, que se
colocam como socialistas e de esquerda, defendem os governos de Lula e de Dilma
Roussef, cujas práticas são as mesmas dos governos que combateram antes. E
tentam, junto com o PT, caracterizar os que estão contra o governo como sendo
golpistas e de direita.
No livro, além de uma análise do contexto político da
época, procuro descrever as características do Lula: alguém com grande
inteligência, capacidade de liderança, habilidade e perseverança por um lado;
mas também uma personalidade borderline,
que gosta de falar, mas não de ouvir, presunçoso, imaturo, inseguro, cultivando
a sensação de auto-suficiência com a imagem de ídolo e capaz de apresentar
episódios maníacos de estrelismo e arrogância primária sugestivos de possível
transtorno bipolar ou ciclotímico.
Lula sempre se mostrou um fanfarrão, arrogante,
bravateiro, maquiavélico, maniqueísta, demagogo, mentiroso. O seu cinismo,
leviandade, cupidez, hipocrisia, descaso, autoritarismo, seriam fruto apenas de
uma fria atitude política ou a expressão manifesta do desdém que uma
personalidade maníaca tem para com seu semelhante?
Para chegar aonde chegou, Lula usou de artifícios
aprendidos na luta para sobreviver às adversas circunstâncias de vida, a
começar de sua infância pobre de retirante nordestino, depois nas lutas
sindicais e, por fim, na liderança de um partido político. Alcançando o poder,
Lula e o PT fizeram alianças e acordos espúrios, sacrificaram companheiros e
programas partidários, traíram seus eleitores. De fato tinham, como ainda hoje
têm, apenas um projeto de poder, não de
governo.
O governo Lula sempre se caracterizou pela adoção de
frequentes discursos, marcados pelo uso de ditos populares, chavões e frases
feitas, com a finalidade de torná-los accessíveis à compreensão popular. Lula
abusa de analogias, metáforas, parábolas que facilitam a compreensão pelo
público desinformado, mas são vazias de conteúdo.
No seu governo, o fisiologismo e o nepotismo continuaram
sendo uma prática rotineira no controle partidário da máquina pública. Os
programas sociais não passavam de captadores de votos e apoio popular, a
educação e a saúde encontravam-se abandonadas, a violência aumentava, a
política econômica tinha como objetivo básico atender aos interesses do sistema
financeiro, financiador das campanhas eleitorais do PT, além de grandes
empresas envolvidas em operações escusas e ilícitas. A miséria, a corrupção, a criminalidade e a
impunidade permaneciam sendo as grandes vergonhas nacionais.
Os fatos revelados ao país pela Operação Lava Jato estão
confirmando o que citei no livro há 14 anos atrás. No
livro (pag. 87) cheguei a denunciar o acobertamento do assassinato do prefeito
de Santo André, Celso Daniel, em 2002.
Não se trata de ter previsto o futuro, mas simplesmente
uma análise atenta de uma personalidade capaz de usar de artifícios, mentiras e
falsidades para encobrir sua verdadeira faceta e atingir seus objetivos
pessoais. A arrogância, a hipocrisia, a total falta de ética, a desfaçatez com
que mente, o escárnio com que nos trata (como se fôssemos todos um bando de
idiotas acreditando nas suas falácias), a cara-de-pau com que diz “não sei de
nada”, o discurso falacioso em que inverte os fatos, tudo isso já eram marcas
notadas no comportamento de Lula.
Depois de ver tantos desatinos políticos dentro e fora do
país, que me causaram grandes decepções, sinto-me uma espécie de agnóstico
ideológico. Hoje acredito somente em uma democracia participativa de verdade e
não apenas de aparências, onde os direitos tanto da maioria como da minoria
sejam respeitados, onde se busque a redução das desigualdades sociais e as leis
realmente sejam aplicadas em prol do bem comum e da proteção do cidadão. O que
infelizmente está longe de acontecer em nosso país.
Ainda temos um longo caminho a percorrer. Devemos nos
organizar, nós, cidadãos corretos, honestos, trabalhadores de verdade e
patriotas, para participar mais efetivamente da vida sócio-política do País e
ajudar a mudar esse estado de coisas. Temos eleições neste ano e nos compete
não votarmos nos atuais políticos e ajudarmos a eleger gente honesta, correta e
que apoia as ações da Lava Jato, do Ministério Público, da Polícia Federal e
dos magistrados que combatem a corrupção e a impunidade.
É preciso que recuperemos os verdadeiros valores morais,
o sentimento de nacionalidade, a solidariedade, o respeito ao semelhante (na
sua individualidade e diferenças) enfim, precisamos construir uma verdadeira cidadania
ou iremos irremediavelmente para o caos social, deixaremos de ser civilizados.
Queremos um novo Brasil ético, democrático, com educação e saúde de bom nível,
melhor qualidade de vida, sem corrupção e desigualdades sociais, enfim um país
para todos os brasileiros e não apenas para alguns privilegiados ocupantes de
altos cargos públicos.
Você pode ler o livro acessando-o pelo
site https://www.slideshare.net/MarcosGoursand
ou solicitá-lo gratuitamente pelo e-mail goursand@gmail.com.

[1] Psicólogo pela PUC-MG - Doutor pela PUC-SP
- Pós-doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA), Los Angeles, EUA –
Professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais.
E-mail:
goursand@gmail.com
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