sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Brasil, que saída podemos ter?



Brasil, que saída podemos ter?

                                                                                                          Marcos Goursand [1]

CHEGA DE CORRUPÇÃO, ROUBALHEIRA, CRIMINALIDADE, VIOLÊNCIA, MENTIRAS, HIPOCRISIA, IMPUNIDADE, DESIGUALDADE, DESCASO COM EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA!

PRECISAMOS DE UM NOVO BRASIL, UMA NOVA CONSTITUIÇÃO, NOVOS PODERES DA REPÚBLICA!

Estamos hoje vivendo no Brasil uma anarquia caótica sob um governo psicopata. Chegamos a um nível absurdo de corrupção, de desmandos, de criminalidade , de irresponsabilidade nos Três Poderes da República.
Os Três Poderes tornaram-se apenas fontes de privilégios políticos, sociais e financeiros, de mordomias sem limites, e instrumentos de controle e manipulação.
Vivemos hoje no Brasil uma falsa democracia que nos leva a uma situação de instabilidade institucional e desagregação social. O que temos é uma anarquia caótica, corrupta, violenta e exploradora, desprovida de valores morais, de justiça, de decência, de honestidade.
Nossa sociedade perdeu o controle sobre a violência, a criminalidade, o tráfico de drogas. Não temos política de saúde, de educação, de segurança, de infraestrutura. A corrupção tornou-se crônica e a impunidade é a regra nos crimes de políticos, de homicidas, de assaltantes, de ladrões de cofres públicos e de pessoas. A crise moral, econômica e política não tem similar na história do país.

Que país é esse?
Tendo quase todas as condições necessárias para ser uma grande nação – solo rico, natureza pródiga, clima ameno, os maiores recursos hídricos do planeta, tudo isso em um imenso território – o Brasil, entretanto, tornou-se o país das desigualdades, da exclusão social, da violência, da miséria, da corrupção, da mentira, da injustiça; enfim, uma sociedade incapaz de proporcionar aos seus cidadãos um mínimo de bem-estar e de qualidade de vida.
Não seria exagero afirmarmos que estamos vivendo num país doente. Gravemente doente. Uma sociedade torna-se doente quando falha em dar a seus membros as condições para uma vida social satisfatória: segurança, liberdade, possibilidade de satisfação intelectual e afetiva.
Os valores hoje predominantes em nossa cultura quase se resumem a riqueza, poder, status, beleza e juventude. Enquanto tais valores predominarem, nosso País não terá condições para ser uma sociedade mais justa, humana e fraterna. É lamentável, mas deverá levar tempo para que o Brasil se torne um país igualitário, mais humano e justo.
Como está nossa sociedade?
Tornamo-nos uma sociedade superficial, hipócrita e consumista. A superficialidade, a passividade e a irresponsabilidade passaram a fazer parte do contexto social em que vivemos. O superficialismo passou a ser uma forma de comportamento proposto e admitido: a futilidade, o modismo passageiro, a aparência externa, a ética superficial, são vistos como valores sociais.
O Brasil, apesar de sua grande população de miseráveis e excluídos (cerca de 40%) é o país das vaidades e o maior consumidor de cosméticos e de cirurgias plásticas embelezadoras do mundo, que são acessíveis apenas às camadas de melhor renda, dado o seu alto custo. São cirurgias caríssimas apenas com o objetivo de seguir padrões de beleza em moda. O exagero das plásticas no Brasil chegou a tal ponto que uma revista francesa chamou o Brasil de “eldorado do bisturi”.
A riqueza, a juventude e a beleza física parecem ser as únicas coisas que a mídia e a sociedade valorizam. Vendo as capas das revistas expostas nas bancas, temos a impressão de que todas as mulheres são loiras, jovens e lindas, e os homens altos, ricos e bonitos. Nada mais superficial e transitório do que a beleza física, mas para os atuais padrões brasileiros é o que importa. O Brasil de hoje quase só tem lugar para o jovem. Isto pode ser constatado, por exemplo, na freqüência a casas noturnas nas grandes capitais, onde praticamente não se vêem pessoas acima de 30 anos nas mesmas, enquanto há um sem-número de boates freqüentadas por adolescentes na faixa de 15 a 18 anos.

Por quem somos governados?
Temos um Executivo dirigido por um psicopata sem ética e sem escrúpulos, auxiliado por ministros corruptos. Além do presidente, temos em Minas um governador também psicopata [2]. Aliás, nossa história política recente está repleta de psicopatas e criminosos insensíveis e sem limites como Temer, Collor, Maluf, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, José Dirceu, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Fernando Pimentel e tantos outros estranhamente eleitos por elevado número de votos.
O Poder Legislativo está infestado por senadores e deputados oportunistas, corruptos e criminosos em busca apenas de atender a seus interesses pessoais e garantir sua imunidade (impunidade) parlamentar. Diversos crimes comuns cometidos por parlamentares como assassinatos, roubos, peculatos, estelionatos, falsidade ideológica, sonegação e outros, continuam sem qualquer punição para os culpados, que além de não serem processados, também não são nem mesmo investigados adequadamente.
Temos um Poder Judiciário ineficiente, leniente que não dá seguimento às denúncias apresentadas pelo Ministério Público. O Supremo Tribunal Federal está ocupado em sua maioria por ministros indicados pelo governo petista e coniventes com a corrupção e a criminalidade.
Além dos grandes políticos criminosos que não são punidos pelas falcatruas cometidas, estamos hoje à mercê de criminosos comuns que nos assaltam, roubam e matam nossos amigos, parentes e vizinhos e que ficam impunes. Os governos (ou desgovernos) atuais estão incapazes, omissos ou coniventes com a criminalidade, o tráfico de drogas, a violência, a corrupção.
A impunidade vem junto com a filosofia da permissividade, onde tudo é permitido a quem tem fama, prestígio, status ou dinheiro. Não apenas a políticos, mas também a grandes empresários e até a artistas famosos, que costumeiramente escapam da justiça.

Brasil, campeão de corrupção, violência e impostos
Segundo relatório da ONU, de 2017, a corrupção desvia R$ 200 bilhões por ano no Brasil. Somente no caso da Petrobrás, os desvios de recursos de forma ilegal envolvem entre R$ 30 e 40 bilhões de acordo com a PF. Hoje, esse número é maior.
Temos que lembrar que os casos de denúncias de corrupção, em geral noticiados pela mídia, são apenas a ponta do iceberg. A corrupção rouba mais de um terço do que o país arrecada. Em sua grande maioria, os casos de corrupção nem são descobertos.
Levantamento realizado pela Controladoria Geral da União, em 281 municípios, em 2003, mostrou que apenas 10% deles não apresentaram nenhum tipo de irregularidade. Em 70% dos municípios auditados foram encontradas evidências de desvio de recursos, tais como obras pagas, porém inacabadas ou paralisadas, uso de notas fiscais frias, simulação de licitações e superfaturamento de preços. Em 2013, 73% das prefeituras de 120 municípios avaliados pela CGU haviam desviado recursos do fundo da educação.
A corrupção institucionalizou-se como afirmou o economista André Lara Rezende e tornou-se o 5º. Poder, como escreveu Antenor Batista em seu livro Corrupção: o 5º Poder.
O Brasil é o o país mais violento do mundo.  Só em 2016, foram 70,2 mil assassinatos, o que equivale a mais de 12% dos registros em todo o planeta, segundo a entidade Small Arms Survey, enquanto na guerra da Síria foram mortas 52.000 pessoas.
Segundo o Atlas da Violência, publicado pelo IPEA (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada), em junho de 2018, 553 mil pessoas foram assassinadas no país nos últimos 11 anos, mais do que os 500 mil mortos na guerra da Síria, de acordo com estimativa da ONU.
Entre as vítimas, os mais afetados são os jovens entre 15 e 29 anos. De 2006 a 2016, 324.967 pessoas dessa faixa etária morreram de forma violenta. O número é quase sete vezes o total de soldados americanos mortos em ação (47.434) em 20 anos da Guerra do Vietnã (1955-1975).
E nesta realidade, o brasileiro trabalha em média 153 dias só para pagar impostos. São 5 meses e dois dias de trabalho. Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), 41,80% de todo o rendimento ganho atualmente está sendo destinado a impostos, taxas e contribuições exigidos pelos governos federal, estadual e municipal. É o país com o pior retorno de impostos à população pelo sexto ano consecutivo, abrangendo todas as esferas (federal, estadual e municipal) e todas as áreas (educação, saúde, segurança, moradia, infraestrutura, pesquisa e outras).

E o nosso povo, o que faz?
Diante de tudo isso, temos uma população [3] descrente, alienada, desesperançada, que compensa suas frustrações com o carnaval, o futebol, as noitadas em bares, os shows de artistas famosos, mas de baixo nível, as novelas.
Vivemos num território de ilusões, mitos e fantasias. Os romanos diziam que para dominar um povo era preciso dar-lhe pão e circo. Parece que ao nosso basta apenas o circo: o futebol, as novelas de TV, os programas de auditório, os shows com cantores populares. O que se pode esperar de um povo que se satisfaz e se acomoda apenas com isso? Pode-se esperar qualquer ação participativa popular para que se produzam as mudanças estruturais necessárias? Muito dificilmente!
Casos freqüentes de corrupção, desvio de verbas, improbidade administrativa, subornos e enriquecimento ilícito obrigam-nos a fazer algumas reflexões. Afinal, tais políticos foram eleitos por uma significativa parcela de eleitores, sendo que muitos já tinham antecedentes conhecidos de corrupção.
Poderiam os seus eleitores alegar que de fato foram enganados ou traídos? Será que não há uma certa identidade entre os valores desses eleitores e os dos seus eleitos? Talvez uma "cegueira" do eleitor para com os defeitos do candidato? Quem sabe, a busca de prestígio junto ao candidato ou a expectativa de ser direta ou indiretamente beneficiado com a corrupção? Será que, no fundo, o eleitor não gostaria de estar no lugar do político desonesto e oportunista, obtendo os mesmos privilégios e vantagens? Ou ainda uma descrença generalizada que leva ao "salve-se quem puder"? Não estará o nosso povo gradativamente perdendo a sua noção de identidade e a sua consciência de cidadania?
É algo grave a atitude da população diante de tais fatos. Parece que ela perdeu a capacidade de se envergonhar, indignar, protestar. Pelo contrário, aceita tudo isto (e outros fatos como a violência) conformadamente, como algo natural ou inevitável. Já ouvimos muitas pessoas dizerem coisas do tipo “se eu estivesse lá, também faria o mesmo”. Onde foi parar o nosso senso de dignidade, o respeito aos valores morais?
Sem que as pessoas se conscientizem de seu papel social e passem a participar das decisões que são tomadas sobre o país – nem que seja somente pelo voto consciente – pouca coisa realmente mudará. E no Brasil isto parece longe de acontecer.
Nosso povo está alienado, passivo, acomodado, sem qualquer interesse pelo coletivo.  De certa maneira vivemos numa ilha de fantasia. Esquecemos o passado, fugimos ao presente e idealizamos o futuro.

O que são nossas eleições
As distorções que sofre o processo eleitoral no Brasil, através da compra de votos, da fraude e da manipulação através dos meios de comunicação de massa, têm sido uma constante entre as mazelas da democracia brasileira.
Por outro lado, não é fácil entender porque a maior parte dos que votam têm feito opção pelos piores. Dizer que os eleitores são mal informados, iludidos e inconscientes, é simplista. Se assim fosse, os seus votos deveriam ser distribuídos, tanto para os bons, quanto para os maus candidatos.
O voto deve ser um direito do cidadão e não uma obrigação. Em quase todos os países democráticos e desenvolvidos o voto é facultativo. Vota aquele que quer exercer o seu direito de cidadania e escolher os seus dirigentes. A obrigatoriedade do voto leva á venda do voto, ao voto de cabresto e à irresponsabilidade.
As eleições brasileiras sempre foram marcadas por irregularidades que vão desde a pura e simples compra do voto na boca-de-urna até a fraude nos resultados finais da eleição. Em 1996, o Brasil fez sua primeira eleição com o uso de urnas eletrônicas, agilizando a apuração, mas desde então o sistemavem sofrendo questionamentos e comparações com o uso da cédula em papel, além de  suspeitas e denúncias de adulterações nas mesmas.
Embora usando a mais sofisticada tecnologia para captação do voto dos eleitores, as urnas eletrônicas, o processo eleitoral brasileiro continua suspeito de fraudes. Além de manipulações nas urnas denunciadas em vários lugares nas eleições passadas, chega-se ao surrealismo de, em várias cidades, o número de eleitores ser superior ao de habitantes. Difícil explicar essa mágica considerando ainda que dentre os habitantes há uma parcela significativa de pessoas que não são eleitores, como os menores de 16 anos e outros incapacitados por motivos diversos.
Atualmente há uma luta pelo comprovante impresso do voto, mas o TSE é contra. Em outros sistemas do mundo que usam urnas eletrônicas, o comprovante em papel funciona como um instrumento de comprovação de que o voto registrado eletronicamente foi computado para o candidato correto.

O que podemos esperar das próximas eleiçôes.
A apenas alguns meses das eleições temos perspectivas negativas e um quadro de candidatos á Presidência da República sem um programa sério de governo, em que se sobressaem políticos demagogos e oportunistas. Os poucos com um histórico de vida política séria e correta têm poucas chances de se eleger.
Como afirmou o senador Cristovam Buarque, “tudo indica que os brasileiros elegerão um novo presidente da República sem eleger um novo Brasil. O eleitor não parece preocupado com o país de todos, apenas com seu próprio presente ou de seu grupo social”.
Temos que começar a nos organizar, nós, cidadãos corretos, honestos, trabalhadores de verdade e patriotas, para mudar radicalmente esse estado de coisas. Se puder ser pelas eleições, melhor, senão poderá ter que ser pelas armas. Aí será necessária a união e integração dos movimentos sociais organizados com as Forças Armadas, o que pode gerar dificuldades e resistências por causa das consequências da ditadura militar passada.
É preciso que recuperemos os verdadeiros valores morais, o sentimento de nacionalidade, a solidariedade, o respeito ao semelhante (na sua individualidade e diferenças) enfim, precisamos construir uma verdadeira cidadania ou iremos irremediavelmente para o caos social, deixaremos de ser civilizados. Queremos um novo Brasil ético, democrático, com educação e saúde de bom nível, melhor qualidade de vida, sem corrupção e desigualdades sociais, enfim um país para todos os brasileiros e não apenas para alguns privilegiados ocupantes de altos cargos públicos.

Divinópolis, 5 de julho de 2018.


[1] Psicólogo social, professor e palestrante; psicólogo pela PUC-MG; doutorado pela PUC-SP; pós-doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA), Los Angeles, EUA; professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: goursand@gmail.com

[2] A psicopatia ou distúrbio de personalidade anti-social se caracteriza pela insensibilidade, indiferença com o sofrimento, os direitos e os sentimentos alheios, egocentrismo extremo, superficialidade nos relacionamentos, uso das pessoas como objetos, comportamentos antissociais e amorais sem demonstração de arrependimento ou remorso, incapacidade para amar, tendência a atos anti-sociais e criminosos.

[3] Segundo o IBGE, a população brasileira chegou, em 2018, a 208,4 milhões de habitantes.


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