Brasil, que saída podemos ter?
CHEGA DE CORRUPÇÃO, ROUBALHEIRA, CRIMINALIDADE, VIOLÊNCIA, MENTIRAS,
HIPOCRISIA, IMPUNIDADE, DESIGUALDADE, DESCASO COM EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA!
PRECISAMOS DE UM NOVO BRASIL, UMA NOVA CONSTITUIÇÃO,
NOVOS PODERES DA REPÚBLICA!
Estamos hoje
vivendo no Brasil uma anarquia caótica sob um governo psicopata. Chegamos a
um nível absurdo de corrupção, de desmandos, de criminalidade , de
irresponsabilidade nos Três Poderes da República.
Os Três
Poderes tornaram-se apenas fontes de privilégios políticos, sociais e
financeiros, de mordomias sem limites, e instrumentos de controle e
manipulação.
Vivemos hoje
no Brasil uma falsa democracia que
nos leva a uma situação de instabilidade institucional e desagregação social. O
que temos é uma anarquia caótica, corrupta, violenta e exploradora, desprovida
de valores morais, de justiça, de decência, de honestidade.
Nossa sociedade perdeu o controle sobre a violência, a criminalidade, o
tráfico de drogas. Não temos política de saúde, de educação, de segurança, de infraestrutura. A corrupção tornou-se crônica e a impunidade é a regra nos crimes de
políticos, de homicidas, de assaltantes, de ladrões de cofres públicos e de
pessoas. A crise moral, econômica e política não tem similar na história
do país.
Que país é esse?
Tendo quase
todas as condições necessárias para ser uma grande nação – solo rico, natureza
pródiga, clima ameno, os maiores recursos hídricos do planeta, tudo isso em um
imenso território – o Brasil, entretanto, tornou-se o país das desigualdades,
da exclusão social, da violência, da miséria, da corrupção, da mentira, da
injustiça; enfim, uma sociedade incapaz de proporcionar aos seus cidadãos um
mínimo de bem-estar e de qualidade de vida.
Não seria
exagero afirmarmos que estamos vivendo num país doente. Gravemente doente. Uma
sociedade torna-se doente quando falha em dar a seus membros as condições para
uma vida social satisfatória: segurança, liberdade, possibilidade de satisfação
intelectual e afetiva.
Os valores
hoje predominantes em nossa cultura quase se resumem a riqueza, poder, status, beleza e juventude. Enquanto
tais valores predominarem, nosso País não terá condições para ser uma sociedade
mais justa, humana e fraterna. É lamentável, mas deverá levar tempo para que o
Brasil se torne um país igualitário, mais humano e justo.
Como está nossa sociedade?
Tornamo-nos
uma sociedade superficial, hipócrita e consumista. A superficialidade, a
passividade e a irresponsabilidade passaram a fazer parte do contexto social em
que vivemos. O superficialismo passou a ser uma forma de comportamento proposto
e admitido: a futilidade, o modismo passageiro, a aparência externa, a ética
superficial, são vistos como valores sociais.
O Brasil,
apesar de sua grande população de miseráveis e excluídos (cerca de 40%) é o
país das vaidades e o maior consumidor de cosméticos e de cirurgias plásticas
embelezadoras do mundo, que são acessíveis apenas às camadas de melhor renda,
dado o seu alto custo. São cirurgias caríssimas apenas com o objetivo de seguir
padrões de beleza em moda. O exagero das plásticas no Brasil chegou a tal ponto
que uma revista francesa chamou o Brasil de “eldorado do bisturi”.
A riqueza, a
juventude e a beleza física parecem ser as únicas coisas que a mídia e a
sociedade valorizam. Vendo as capas das revistas expostas nas bancas, temos a
impressão de que todas as mulheres são loiras, jovens e lindas, e os homens
altos, ricos e bonitos. Nada mais superficial e transitório do que a beleza
física, mas para os atuais padrões brasileiros é o que importa. O Brasil de
hoje quase só tem lugar para o jovem. Isto pode ser constatado, por exemplo, na
freqüência a casas noturnas nas grandes capitais, onde praticamente não se vêem
pessoas acima de 30 anos nas mesmas, enquanto há um sem-número de boates
freqüentadas por adolescentes na faixa de 15 a 18 anos.
Por quem somos governados?
Temos um
Executivo dirigido por um psicopata sem ética e sem escrúpulos, auxiliado por
ministros corruptos. Além do presidente, temos em Minas um governador também
psicopata [2].
Aliás, nossa história política recente está repleta de psicopatas e criminosos
insensíveis e sem limites como Temer, Collor, Maluf, Eduardo Cunha, Sérgio
Cabral, José Dirceu, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Fernando Pimentel e tantos
outros estranhamente eleitos por elevado número de votos.
O Poder
Legislativo está infestado por senadores e deputados oportunistas, corruptos e
criminosos em busca apenas de atender a seus interesses pessoais e garantir sua
imunidade (impunidade) parlamentar. Diversos crimes comuns cometidos por
parlamentares como assassinatos, roubos, peculatos, estelionatos, falsidade
ideológica, sonegação e outros, continuam sem qualquer punição para os culpados,
que além de não serem processados, também não são nem mesmo investigados
adequadamente.
Temos um
Poder Judiciário ineficiente, leniente que não dá seguimento às denúncias
apresentadas pelo Ministério Público. O Supremo Tribunal Federal está ocupado
em sua maioria por ministros indicados pelo governo petista e coniventes com a
corrupção e a criminalidade.
Além dos grandes políticos criminosos
que não são punidos pelas falcatruas cometidas, estamos hoje à mercê de
criminosos comuns que nos assaltam, roubam e matam nossos amigos, parentes e
vizinhos e que ficam impunes. Os governos (ou desgovernos) atuais estão
incapazes, omissos ou coniventes com a criminalidade, o tráfico de drogas, a
violência, a corrupção.
A impunidade
vem junto com a filosofia da permissividade, onde tudo é permitido a quem tem
fama, prestígio, status ou dinheiro.
Não apenas a políticos, mas também a grandes empresários e até a artistas
famosos, que costumeiramente escapam da justiça.
Brasil, campeão de corrupção, violência e
impostos
Segundo
relatório da ONU, de 2017, a corrupção desvia R$ 200 bilhões por ano no Brasil.
Somente no caso da Petrobrás, os desvios de recursos de forma ilegal envolvem
entre R$ 30 e 40 bilhões de acordo com a PF. Hoje, esse número é maior.
Temos que lembrar que os casos de
denúncias de corrupção, em geral noticiados pela mídia, são apenas a ponta do iceberg. A corrupção rouba mais
de um terço do que o país arrecada. Em
sua grande maioria, os casos de corrupção nem são descobertos.
Levantamento
realizado pela Controladoria Geral da União, em 281 municípios, em 2003,
mostrou que apenas 10% deles não apresentaram nenhum tipo de irregularidade. Em
70% dos municípios auditados foram encontradas evidências de desvio de
recursos, tais como obras pagas, porém inacabadas ou paralisadas, uso de notas
fiscais frias, simulação de licitações e superfaturamento de preços. Em 2013,
73% das prefeituras de 120 municípios avaliados pela CGU haviam desviado
recursos do fundo da educação.
A corrupção
institucionalizou-se como afirmou o economista André Lara Rezende e tornou-se o
5º. Poder, como escreveu Antenor Batista em seu livro Corrupção: o 5º Poder.
O Brasil é o
o país mais violento do mundo. Só em
2016, foram 70,2 mil assassinatos, o que equivale a mais de 12% dos registros
em todo o planeta, segundo a entidade Small Arms Survey, enquanto na guerra da
Síria foram mortas 52.000 pessoas.
Segundo o
Atlas da Violência, publicado pelo IPEA
(Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada), em junho de 2018, 553 mil pessoas
foram assassinadas no país nos últimos 11 anos, mais do que os 500 mil mortos
na guerra da Síria, de acordo com estimativa da ONU.
Entre as vítimas, os mais
afetados são os jovens entre 15 e 29 anos. De 2006 a 2016, 324.967 pessoas dessa faixa etária
morreram de forma violenta. O número é quase sete vezes o total de soldados
americanos mortos em ação (47.434) em 20 anos da Guerra do Vietnã (1955-1975).
E nesta realidade, o
brasileiro trabalha em média 153 dias só para pagar impostos. São 5 meses e
dois dias de trabalho. Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento
e Tributação (IBPT), 41,80% de todo o rendimento ganho atualmente está sendo
destinado a impostos, taxas e contribuições exigidos pelos governos federal,
estadual e municipal. É o país com o pior retorno de impostos à população pelo
sexto ano consecutivo, abrangendo todas as esferas (federal, estadual e
municipal) e todas as áreas (educação, saúde, segurança, moradia,
infraestrutura, pesquisa e outras).
E o nosso povo, o que faz?
Diante de tudo
isso, temos uma população [3]
descrente, alienada, desesperançada, que compensa suas frustrações com o
carnaval, o futebol, as noitadas em bares, os shows de artistas famosos, mas de
baixo nível, as novelas.
Vivemos num
território de ilusões, mitos e fantasias. Os romanos diziam que para dominar um
povo era preciso dar-lhe pão e circo. Parece que ao nosso basta apenas o circo:
o futebol, as novelas de TV, os programas de auditório, os shows com cantores populares. O que se pode esperar de um povo que
se satisfaz e se acomoda apenas com isso? Pode-se esperar qualquer ação
participativa popular para que se produzam as mudanças estruturais necessárias?
Muito dificilmente!
Casos
freqüentes de corrupção, desvio de verbas, improbidade administrativa, subornos
e enriquecimento ilícito obrigam-nos a fazer algumas reflexões. Afinal, tais
políticos foram eleitos por uma significativa parcela de eleitores, sendo que
muitos já tinham antecedentes conhecidos de corrupção.
Poderiam os
seus eleitores alegar que de fato foram enganados ou traídos? Será que não há
uma certa identidade entre os valores desses eleitores e os dos seus eleitos?
Talvez uma "cegueira" do eleitor para com os defeitos do candidato?
Quem sabe, a busca de prestígio junto ao candidato ou a expectativa de ser
direta ou indiretamente beneficiado com a corrupção? Será que, no fundo, o
eleitor não gostaria de estar no lugar do político desonesto e oportunista,
obtendo os mesmos privilégios e vantagens? Ou ainda uma descrença generalizada
que leva ao "salve-se quem puder"? Não estará o nosso povo
gradativamente perdendo a sua noção de identidade e a sua consciência de
cidadania?
É algo grave
a atitude da população diante de tais fatos. Parece que ela perdeu a capacidade
de se envergonhar, indignar, protestar. Pelo contrário, aceita tudo isto (e
outros fatos como a violência) conformadamente, como algo natural ou
inevitável. Já ouvimos muitas pessoas dizerem coisas do tipo “se eu estivesse
lá, também faria o mesmo”. Onde foi parar o nosso senso de dignidade, o respeito
aos valores morais?
Sem que as
pessoas se conscientizem de seu papel social e passem a participar das decisões
que são tomadas sobre o país – nem que seja somente pelo voto consciente –
pouca coisa realmente mudará. E no Brasil isto parece longe de acontecer.
Nosso povo
está alienado, passivo, acomodado, sem qualquer interesse pelo coletivo. De certa maneira vivemos numa ilha de
fantasia. Esquecemos o passado, fugimos ao presente e idealizamos o futuro.
O que são nossas eleições
As distorções
que sofre o processo eleitoral no Brasil, através da compra de votos, da fraude
e da manipulação através dos meios de comunicação de massa, têm sido uma
constante entre as mazelas da democracia brasileira.
Por outro
lado, não é fácil entender porque a maior parte dos que votam têm feito opção
pelos piores. Dizer que os eleitores são mal informados, iludidos e
inconscientes, é simplista. Se assim fosse, os seus votos deveriam ser
distribuídos, tanto para os bons, quanto para os maus candidatos.
O voto deve ser
um direito do cidadão e não uma obrigação. Em quase todos os países
democráticos e desenvolvidos o voto é facultativo. Vota aquele que quer exercer
o seu direito de cidadania e escolher os seus dirigentes. A obrigatoriedade do
voto leva á venda do voto, ao voto de cabresto e à irresponsabilidade.
As eleições
brasileiras sempre foram marcadas por irregularidades que vão desde a pura e
simples compra do voto na boca-de-urna até a fraude nos resultados finais da
eleição. Em 1996, o Brasil fez sua primeira eleição com o uso de urnas
eletrônicas, agilizando a apuração, mas desde então o sistemavem sofrendo
questionamentos e comparações com o uso da cédula em papel, além de suspeitas e denúncias de adulterações nas
mesmas.
Embora usando
a mais sofisticada tecnologia para captação do voto dos eleitores, as urnas
eletrônicas, o processo eleitoral brasileiro continua suspeito de fraudes. Além
de manipulações nas urnas denunciadas em vários lugares nas eleições passadas,
chega-se ao surrealismo de, em várias cidades, o número de eleitores ser
superior ao de habitantes. Difícil explicar essa mágica considerando ainda que
dentre os habitantes há uma parcela significativa de pessoas que não são
eleitores, como os menores de 16 anos e outros incapacitados por motivos diversos.
Atualmente há
uma luta pelo comprovante impresso
do voto, mas o TSE é contra. Em outros sistemas do mundo que usam urnas
eletrônicas, o comprovante em papel funciona como um instrumento de comprovação
de que o voto registrado
eletronicamente foi computado para o candidato correto.
O que podemos esperar das próximas
eleiçôes.
A apenas alguns
meses das eleições temos perspectivas negativas e um quadro de candidatos á
Presidência da República sem um programa sério de governo, em que se sobressaem
políticos demagogos e oportunistas. Os poucos com um histórico de vida política
séria e correta têm poucas chances de se eleger.
Como afirmou
o senador Cristovam Buarque, “tudo indica que os brasileiros elegerão um novo presidente
da República sem eleger um novo Brasil. O eleitor não parece preocupado com o
país de todos, apenas com seu próprio presente ou de seu grupo social”.
Temos que começar a nos
organizar, nós, cidadãos corretos, honestos, trabalhadores de verdade e
patriotas, para mudar radicalmente esse estado de coisas. Se puder ser pelas
eleições, melhor, senão poderá ter que ser pelas armas. Aí será necessária a
união e integração dos movimentos sociais organizados com as Forças Armadas, o
que pode gerar dificuldades e resistências por causa das consequências da
ditadura militar passada.
É preciso que recuperemos os
verdadeiros valores morais, o sentimento de nacionalidade, a solidariedade, o
respeito ao semelhante (na sua individualidade e diferenças) enfim, precisamos
construir uma verdadeira cidadania ou iremos irremediavelmente para o caos
social, deixaremos de ser civilizados. Queremos um novo Brasil ético,
democrático, com educação e saúde de bom nível, melhor qualidade de vida, sem
corrupção e desigualdades sociais, enfim um país para todos os brasileiros e
não apenas para alguns privilegiados ocupantes de altos cargos públicos.
Divinópolis, 5 de julho de 2018.
[1]
Psicólogo social, professor e palestrante; psicólogo pela PUC-MG; doutorado
pela PUC-SP; pós-doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA), Los Angeles,
EUA; professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: goursand@gmail.com
[2]
A psicopatia ou distúrbio de personalidade anti-social se caracteriza pela
insensibilidade, indiferença com o sofrimento, os direitos e os sentimentos
alheios, egocentrismo extremo, superficialidade nos relacionamentos, uso das
pessoas como objetos, comportamentos antissociais e amorais sem demonstração de
arrependimento ou remorso, incapacidade para amar, tendência a atos
anti-sociais e criminosos.
[3]
Segundo o IBGE, a população brasileira chegou, em 2018, a 208,4 milhões de
habitantes.
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